sexta-feira, 16 de maio de 2014

O FUNDAMENTO HISTÓRICO E A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL


A sociedade que vemos hoje não reflete uma casualidade. Todo o contexto sociológico, incluindo seus aspetos culturais, econômicos, políticos, religiosos, recreativos, são o produto direto de uma construção histórica. As nossas raízes revelam o nosso presente.

Qualquer tentativa de transformação social que ignore a história será certamente frustrada.

Ao conhecer os espantosos relatos atuais de transformação social, podemos observar alguns princípios comuns em cada relato. Obviamente, o principio essencial é uma radical renovação da fé em Jesus Cristo. Há, porém, um princípio tão importante quanto este: o MAPEAMENTO ESPIRITUAL.

Devemos entender que é necessário lidar com transgressões que não foram perdoadas. O tempo não tem o poder de apagar o pecado, somente o sangue de Jesus pode fazê-lo, mas para tal é necessário confissão e arrependimento sincero. Alguém precisa revirar o baú da história das sociedades e descobrir estas questões não resolvidas. Sociólogos e antropólogos não o farão, mas alguém, que sinta o peso dessa responsabilidade e se posicione espiritualmente. Obviamente este é o papel da Igreja.

É exatamente disso que Deus tratava com Ezequiel: “E busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro e estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse...” (Ezequiel 22:30)

Jesus é o único mediador entre Deus e os homem (I Timóteo 2:5), porém, ele aindaconta com intercessores para ficar “na brecha” por suas sociedades. Estes intercessores são especialmente ungidos por Deus para exercerem o que pode ser chamado de “arrependimento por identificação”, ou seja, o intercessor sente o arrependimento, confessa e suplica o perdão divino por pecados sociais corporativos que ele mesmo não pratica individualmente. Para que possamos vivenciar um avivamento da dimensão da transformação social, a Igreja deve se posicionar com esta atitude identificativa por sua comunidade, cidade, estado, ou nação.

O exercício eficaz e dinâmico deste tipo de intercessão profética depende da compreensão do passado. Em muitas sociedades, nossos ancestrais deixaram marcas profundas de iniquidades não purificadas por falta de confissão (I João 1:9). Apesquisa histórica diligente das raízes sociais tem levado comunidades em colapso do mundo inteiro a se humilharem diante do Criador suplicando a redenção de sua terra. Tal postura investigativa e de oração intensa mudou radicalmente o “dna social” destas comunidades. Nestes casos documentados, os relatos são de diminuição drástica da criminalidade; melhoria acentuada na qualidade dos sistemas de educação, saúde e segurança; crescimento significativo da economia e do PIB; igualdade social e melhoria na distribuição de renda, além de uma gloriosa renovação dos valores éticos e morais absolutos. Tudo isso como consequência da visitação de Deus pela centralidade e senhorio de Jesus Cristo nestas sociedades.

Tais relatos poderiam ser considerados utopia se não houvesse relatos documentais, e poderiam ser considerados casos isolados se não houvesse mais de uma dezena destes relatos documentais.

A Bíblia respalda histórica e teologicamente a diligência na remissão dos pecados de gerações passadas para a restauração social no presente. O problema é que boa parte da teologia moderna simplista está contaminada pelos extremos do liberalismo e do tradicionalismo, não aceitando assim, que tais princípios estejam em vigor nesta dispensação. Porém, contra fatos não há argumentos. Em lugares onde o corpo de Cristo em unidade, a Igreja descobriu e aplicou o princípio da pesquisa histórica e da identificação, houve avivamento transformador.

Alguns líderes e denominações tradicionais respeitáveis, em função de suas crenças dispensacionalistas e pré-milenistas, acreditam apenas em avivamento da igreja local, porém, teólogos avivalistas como Jonathas Edwards nutriram uma esperança “pós-milenista” e mapearam profundamente suas sociedades, iniciando um tempo de intensos clamores por avivamento, resultado em moveres poderosos como o Grande Despertar da Treze Colônias da América no século XVII, que foi o mais duradouro e influente avivamento social da história.

O avivamento da igreja local é apenas um dos cinco níveis de avivamento, os quais são: (1) avivamento pessoal; (2) avivamento familiar; (3) avivamento da igreja local; (4) avivamento do corpo de Cristo; e (5) avivamento social.

Não podemos ignorar a história. Não podemos ignorar o passado. Tudo o que ficou para trás sem ser tratado diante daquele com quem um dia haveremos de prestar contas, deve ser observado.

Precisamos nos vasculhar espiritualmente como indivíduos. Também precisamos vasculhar nossas raízes familiares, e as raízes de nossa igreja local, e da Igreja corporativamente, e por fim, precisamos vasculhar o fundamento histórico da sociedade. Somente tal compreensão e diligência com oração fervorosa, nos trará o avivamento pleno.

Por Enéas Ribeiro