A
sociedade que vemos hoje não reflete uma casualidade. Todo o contexto
sociológico, incluindo seus aspetos culturais, econômicos, políticos,
religiosos, recreativos, são o produto direto de uma construção histórica. As
nossas raízes revelam o nosso presente.
Qualquer
tentativa de transformação social que ignore a história será certamente
frustrada.
Ao
conhecer os espantosos relatos atuais de transformação social, podemos observar
alguns princípios comuns em cada relato. Obviamente, o principio essencial é
uma radical renovação da fé em Jesus Cristo. Há, porém, um princípio tão importante quanto
este: o MAPEAMENTO ESPIRITUAL.
Devemos
entender que é necessário lidar com transgressões que não foram perdoadas. O tempo não
tem o poder de apagar o pecado, somente o sangue de Jesus pode fazê-lo, mas para tal é
necessário confissão e arrependimento sincero. Alguém precisa revirar o baú da
história das sociedades e descobrir estas questões não resolvidas. Sociólogos e
antropólogos não o farão, mas alguém, que sinta o peso dessa responsabilidade e
se posicione espiritualmente. Obviamente este é o papel da Igreja.
É
exatamente disso que Deus tratava com Ezequiel: “E busquei dentre eles um
homem que estivesse tapando o muro e estivesse na brecha perante mim por esta
terra, para que eu não a destruísse...” (Ezequiel 22:30)
Jesus é o
único mediador entre Deus e os homem (I Timóteo 2:5), porém, ele aindaconta com intercessores para ficar “na
brecha” por suas sociedades. Estes intercessores são especialmente ungidos por
Deus para exercerem o que pode ser chamado de “arrependimento por
identificação”, ou seja, o intercessor sente o arrependimento, confessa e
suplica o perdão divino por pecados sociais corporativos que ele mesmo não
pratica individualmente. Para que possamos vivenciar um avivamento da dimensão
da transformação social, a Igreja deve se posicionar com esta atitude
identificativa por sua comunidade, cidade, estado, ou nação.
O
exercício eficaz e dinâmico deste tipo de intercessão profética depende da
compreensão do passado. Em muitas sociedades, nossos ancestrais deixaram marcas
profundas de iniquidades não purificadas por falta de confissão (I João 1:9). Apesquisa
histórica diligente
das raízes sociais tem levado comunidades em colapso do mundo inteiro a se
humilharem diante do Criador suplicando a redenção de sua terra. Tal postura
investigativa e de oração intensa mudou radicalmente o “dna social” destas
comunidades. Nestes casos documentados, os relatos são de diminuição drástica
da criminalidade; melhoria acentuada na qualidade dos sistemas
de educação, saúde e
segurança; crescimento significativo da economia e do PIB; igualdade social e
melhoria na distribuição de renda, além de uma gloriosa renovação dos valores
éticos e morais absolutos. Tudo isso como consequência da visitação de Deus
pela centralidade e senhorio de Jesus Cristo nestas sociedades.
Tais
relatos poderiam ser considerados utopia se não houvesse relatos documentais, e
poderiam ser considerados casos isolados se não houvesse mais de uma
dezena destes relatos documentais.
A Bíblia
respalda histórica e teologicamente a diligência na remissão dos pecados de
gerações passadas para a restauração social no presente. O problema é que boa
parte da teologia moderna simplista está contaminada pelos extremos do
liberalismo e do tradicionalismo, não aceitando assim, que tais princípios
estejam em vigor nesta dispensação. Porém, contra fatos não há argumentos. Em
lugares onde o corpo de Cristo em unidade, a Igreja descobriu e aplicou o
princípio da pesquisa histórica e da identificação, houve avivamento
transformador.
Alguns
líderes e denominações tradicionais respeitáveis, em função de suas crenças
dispensacionalistas e pré-milenistas, acreditam apenas em avivamento
da igreja local,
porém, teólogos avivalistas como Jonathas Edwards nutriram uma esperança “pós-milenista”
e mapearam profundamente suas sociedades, iniciando um tempo de intensos
clamores por avivamento, resultado em moveres poderosos como o Grande Despertar
da Treze Colônias da América no século XVII, que foi o mais duradouro e
influente avivamento social da história.
O
avivamento da igreja local é apenas um dos cinco níveis de
avivamento, os quais são: (1) avivamento pessoal; (2) avivamento familiar; (3)
avivamento da igreja local; (4) avivamento do corpo de Cristo; e (5) avivamento
social.
Não
podemos ignorar a história. Não podemos ignorar o passado. Tudo o que ficou para trás sem ser tratado diante daquele
com quem um dia haveremos de prestar contas, deve ser observado.
Precisamos
nos vasculhar espiritualmente como indivíduos. Também precisamos vasculhar
nossas raízes familiares, e as raízes de nossa igreja
local, e da Igreja corporativamente, e por fim, precisamos vasculhar o
fundamento histórico da sociedade. Somente tal compreensão e diligência com
oração fervorosa, nos trará o avivamento pleno.
Por Enéas Ribeiro
